EMPURRANDO 2017 COM A BARRIGA. Click aqui

A crise fiscal foi a principal razão de estímulo para a retração da economia no ano passado e, a partir de 2015, desencadeou-se um respeitável aperto monetário que esteve presente em grande parte de 2016.

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Para muitos ainda não acabou o famigerado ano de 2016. Foi um ano dificílimo, muito mais do que o de 2015, que parece ter deixado saudades nos brasileiros. É necessário ficar claro que esta tragédia tem sua origem nas decisões irresponsáveis e inconsequentes tomadas num passado próximo do que no presente. Uma “herança maldita” criada por uma seita criminosa em extinção e, especialmente, pela sua última “iluminada” representante que transferiu um fardo extraordinário para que os próximos mandatários do País carregassem. 

A economia sempre demora um pouco para apresentar reações diante de mudanças de política econômica. A política monetária carece, no mínimo, em torno de dois a três trimestres para apresentar efeitos concretos na atividade econômica e a política fiscal, praticamente, o dobro disso. 

Em relação à economia brasileira, um pouco do otimismo previsto para 2017 vem levemente se corroendo para alguns analistas, mas o mercado pressente ainda estar longe de ver neste novo exercício, um vale de lágrimas. 
A inflação em queda e os cortes mais acelerados dos juros possivelmente serão as principais particularidades positivas, comparadas com o ano que se findou. 
Segundo analistas, caso o PIB (Produto Interno Bruto) confirme as atuais previsões de uma ligeira expansão um pouco acima de zero, ainda assim, estará proporcionando certo alento, após termos convividos os dois últimos anos dentro de uma profunda e arriscada recessão.

Ocorrendo o cenário previsto pelo mercado financeiro, só depende exclusivamente do Brasil transpor seus desafiantes obstáculos comprovados. Na vertente política, o atual governo terá que resistir às inúmeras ameaças que ainda cercam a Lava Jato e se elas afetarão a governabilidade do presidente Michel Temer, procurando resguardar a força do Congresso para aprovar as reformas indispensáveis. 
No ambiente externo, a maior delas relaciona-se ao presidente Trump, que após sua posse terá que adotar um “tom” mais moderado do que o sinalizado durante sua campanha à Casa Branca.

Julgo factíveis alguns pontos fundamentais que podem certamente avançar no decorrer deste ano. Para cada uma das quatro próximas reuniões do COPOM (Comitê de Política Monetária) em função da inflação que converge para a meta, o mercado precifica cortes que devem variar entre 0,5% pp e 0,75 pp. 
Para 2017 o mercado projeta uma redução em torno de 3,5% pp, o que poderá deixar a Selic (Taxa Básica de Juros) em um patamar de 10,25% pp. Os mais otimistas arriscam a possibilidade de termos uma taxa Selic de apenas um dígito ao final deste ano.

Segundo alguns economistas, deve se acentuar a desaceleração na alta dos preços com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), retrocedendo dos 6,38% em 2016 para ficar bem próximo de 5,0% neste ano. 

Até o momento, o BC (Banco Central do Brasil) estima uma inflação entre 4,4% num cenário de referência e 4,7% admitido pelo mercado. Além de dar um acesso considerável ao corte dos juros com a inflação se aproximando da meta, isso quer dizer que o poder aquisitivo do brasileiro sofrerá uma menor corrosão pela alta dos preços do que nos anos anteriores. Em 2014, o IPCA situou-se em 6,41% e saltou impetuosamente para 10,67% em 2015. 

Vemos que praticamente em três anos a nossa inflação esteve perto ou bem acima do teto da meta, de 6,5%, o que fortaleceu o desânimo na população com a economia contaminada pela recessão e o desemprego beirando 12%.
Desde setembro do ano passado a previsão de crescimento do PIB para 2017 vem decrescendo, anulando substancialmente o otimismo esperado com o impedimento de Dilma. 

Mesmo assim, em algumas previsões, aparecem alguns sinais de estabilização, apontando um crescimento de 0,5%.  Sendo assim, dá para entender que a economia encontraria um suporte após mais de dois anos de pura retração, superior a 3%. 
Na verdade, a recessão está durando mais do que se esperava inicialmente, quando se admitia vê-la dominada no segundo semestre de 2017, dessa forma abrindo o caminho para em 2018 termos efetivamente a volta do crescimento econômico.
Salvo engano, o dólar subiu 6% em novembro em função da surpresa global com a eleição de Donald Trump nos EUA. 

Grande parte desta alta, todavia, foi minimizada em dezembro, caindo quase 4%, com investidores admitindo talvez que o novo presidente americano não se apresente tão radical após a sua posse quanto às práticas protecionistas preconizadas em sua campanha e, também, na propalada expansão fiscal, dois grandes propósitos dos mais controvertidos. 
Por aqui, podemos até considerar um determinado progresso no governo Temer a despeito das turbulências provocadas pela Lava Jato e de ter conseguido prosseguir com as reformas. Estas duas questões ainda deverão ser mais bem avaliadas no curto prazo, com a posse de Trump no dia 20 de janeiro e o fim das prolongadas e “merecidas férias” em Brasília. 
É fundamental a manutenção do câmbio estável, que poderá ser neste ano um dos instrumentos indispensáveis para a recuperação da nossa economia, reforçando o controle da inflação e, conseqüentemente, permitindo ao BC decepar ainda mais, com determinação, os juros. Com isso, traria uma especial contribuição ao balanço das empresas endividas em moeda estrangeira.

A balança comercial foi superavitária em US$ 47 bilhões em 2016. Embora ela tenha apresentando este resultado, não merece comemorações porque foi apenas fruto da queda intensa nas importações, causada pela forte recessão que atravessamos. 
Para o atual exercício, o governo acredita alcançar um resultado melhor, sendo ele proporcionado não só pelo aumento das exportações como também das importações. Por outro lado, este saldo comercial ajudou a reduzir significativamente o déficit em conta corrente que atingiu o seu pico em 2014 com US$ 104 bilhões e recuou para US$ 20 bilhões em doze meses, exatamente em novembro passado. Segundo os analistas, buscar um maior equilíbrio das contas externas é assegurar um dos fatores que oferecem maior estabilidade, o que vem sendo demonstrada pelo câmbio, no decorrer dos últimos meses.

A sobrevivência do otimismo no mercado local está intrinsecamente ligada à aprovação das reformas. Há dias atrás, a esperança dos investidores aumentou quando o Dep. Rodrigo Maia, presidente tampão da Câmara dos Deputados, em plena campanha pela sua reeleição (questionada pelos seus opositores especificamente por uma questão regimental), prometeu que a reforma da Previdência estará totalmente aprovada ao final desse semestre. 
Se o fato realmente acontecer, será um acontecimento inusitado, bem mais rápido do que se poderia imaginar. 
Caso o Congresso consiga sancioná-la até o final deste ano, já pode ser considerada uma vitória retumbante para o governo, pois em 2018 teremos eleições majoritárias no País, sendo um momento impróprio para discussão de temas impopulares como a idade mínima necessária para a aposentadoria, dentre muitos outros também polêmicos.

Não obstante, com o avanço da agenda das reformas existe outro fator que ajuda a explicar o bom momento por que passa o mercado. As commodities, que desabaram entre 2011 e 2015, recomeçaram a subir no ano passado. Sem dúvida, foi um ganho moderado de apenas 11%, que deu somente para restituir uma pequena parcela das perdas anteriores, mas aliviou um pouco  algumas poderosas organizações brasileiras a exemplo da Petrobras e Vale do Rio Doce. 

Para que esse bom desempenho continue prosseguindo será importante que Trump não venha causar sobressaltos nos EUA e, especialmente, a China, o nosso idolatrado parceiro comercial, consiga inibir uma desaceleração mais incisiva no seu crescimento.

Ainda permanecerão elevados os riscos de acidente de percurso, incluindo o risco político com suas nefastas influências na economia. Como a economia ainda se encontra debilitada e o crédito permanece escasso, há risco de um aprofundamento suplementar na crise, levando as demissões a crescer no mercado de trabalho. Também não está descartado o risco de a economia piorar um pouco mais antes de começar a melhorar.

O ambiente externo poderá ser até um canal que traga alguma sorte. Após dois anos de desaceleração na economia global, os sinais atuais são evidentes de uma acentuada expectativa, com o impacto oportuno nos preços das commodities. 
Na esfera emergente, a sensação de que “o pior já passou” tem chances de se consolidar, favorecendo o desempenho de economias avançadas. É plausível, então, aguardar alguma reação consistente do comércio mundial, atualmente paralisado. 
A dinâmica da economia mundial sendo mais favorecida na margem não necessariamente suavizará os riscos geopolíticos e maior experimentalismo, especialmente nos EUA. Mas poderá ser determinante para abrandar o efeito desses choques.

Assim, tanto pelo cenário doméstico, quanto pelo ambiente externo, 2017 começa cercado por muitas incertezas e notórios riscos. A origem da crise brasileira está exatamente na política. Nesse aspecto, o ano começa ainda carente de muita cautela e ainda poderemos, ao longo dele, ter grandes emoções.

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